Trappo








T e n d ê n c i a s


Um homem que nasce com tendências para o Divino é destemido e puro de coração. Ele preservará neste caminho de união com Brahman, que as escrituras e seu mestre lhe ensinaram. É caridoso. Pode controlar suas paixões. Estuda as escrituras regularmente e obedece sua direção. É franco, verdadeiro, e de temperamento igual. Não molesta ninguém. Renuncia às coisas deste mundo. Tem a mente tranquila e um falar sem malícia. É compassivo com todos. Não é ganancioso. É gentil e modesto. Abstém-se de atividades inúteis. Tem fé na força de sua natureza superior. Pode esquecer e tolerar. É puro nos pensamentos e atos. Ele libertou-se do ódio e do orgulho. Tais qualidades são seus direitos inatos.

Quando um homem nasce com tendências demoníacas, seu direito hereditário é a hipocrisia, arrogância, presunção, raiva, crueldade e ignorância.

O direito hereditário da divina natureza leva à libertação. O direito hereditário da natureza demoníaca leva à escravidão maior. Mas tu não precisas ter medo, Arjuna - teu direito hereditário é divino.

Há neste mundo duas espécies de seres: aqueles cuja natureza tende para o divino, e aqueles de tendências demoníacas. Já te descrevi a natureza divina em alguns detalhes. Agora tu aprenderás mais um pouco sobre a natureza demoníaca.

Os homens de natureza demoníaca não sabem o que devem fazer, nem do que devem se abster de fazer. Não há nenhuma verdade neles, ou pureza, ou conduta correta. Eles afirmam que as escrituras são uma mentira, e que o Universo não está baseado em uma lei moral, mas é sem Deus, concebido na luxúria e criado pela população, sem nenhuma outra causa. Porque acreditam nisso, na escuridão de suas pequenas mentes, estas criaturas degradadas praticam coisas horríveis, tentando destruir o mundo. São os inimigos da humanidade.

Sua luxúria não pode nunca ser aplacada. São arrogantes e fúteis, e ébrios de orgulho. Correm cegamente atrás do que é mau. Estão certos de que a vida tem apenas um propósito: a gratificação dos sentidos. E assim são eles, atormentados por inúmeros cuidados, dos quais apenas a morte pode livrá-los. A ansiedade vincula-os a centenas de cadeias, e se entregam à luxúria e ao ódio. Eles estão incessantemente ocupados, amontoando ganhos desonestos para satisfação de seus desejos ardentes.

"Eu queria isso, e consegui-o hoje. Eu quero aquilo; vou consegui-lo amanhã. Todas estas riquezas são minhas agora; logo terei mais. Matei este inimigo. Vou matar todo o resto. Sou o governante dos homens. Desfrutarei das coisas deste mundo; sou um sucesso, forte e feliz. Quem se iguala a mim? Sou tão rico e nobre de nascimento. Vou oferecer sacrifícios aos deuses. Vou dar esmolas. Vou me divertir". Isso é o que eles dizem para si mesmos, na cegueira de sua ignorância.


São viciados no prazer sensual, que os torna inquietos por seus muitos desejos, e são apanhados na rede da ilusão. Eles caem no inferno imundo de suas próprias mentes perversas. Convencidos, arrogantes, loucamente orgulhosos e embriagados por suas riquezas, oferecem sacrifícios a Deus apenas em nome, para encenação exterior, sem seguir os rituais sagrados. Estas criaturas malignas estão cheias de egoísmo, vaidade, luxúria, ódio e consciência do poder. Elas me detestam e negam minha presença, tanto em si mesmas como nos outros. São inimigos de todos os homens, e de mim mesmo; cruéis, desprezíveis e vis. Eu as lanço de volta, sempre e sempre, no ventre de pais degradados, sujeitando-as à roda do nascimento e da morte. E assim, elas renascem constantemente, em degradação e ilusão. Elas não me alcançam, mas mergulham na mais baixa condição da alma.


O inferno tem três portas: luxúria, raiva e ganância, que levam à ruína do homem. Portanto, ele deve evitá-las todas. Aquele que passa por estas três portas escuras realizou sua própria salvação. Ele alcançará o mais elevado objetivo, finalmente.


Deixe, pois, que as escrituras sejam teu guia, ao decidir o que tu deves fazer, e do que deves te abster. Primeiro, aprende o caminho da ação, como as escrituras ensinam. Depois, age de acordo.


(Bhagavad Gita)