wu wei vazei...
À noite, após sair do escritório, caminhava tranquilamente pelo caminho do meio, em direção a kit, assobiando uma canção do Roberto, quando, de repente, ao passar defronte à lanchonete da Didi, que, logicamente, àquele horário, já estava com as portas fechadas, tive a atenção voltada para algo que parecia tremular em meio à iluminação azulada, à frente das letras de neon, na altura dos fios elétricos no poste. Pensei, "será a Fada Madrinha? Um pássaro?"
Ou seria aquele macaco do conto de Edgar Allan Poe?
A luz me cegava, de modo que eu não podia saber qual a natureza daquela criatura, que parecia bradar algo como "wu wu wu" e agitar no ar um pequeno objeto que trazia em uma das mãos, o qual, em seguida, arremessou em minha direção, desaparecendo a seguir, misteriosamente, da mesma forma como surgira.
Tratava-se de um pequeno volume, todo amassado e com a capa remendada, colada com durex...
O título era:
Os Três Gunas
Estes tanmatras sutis, combinando-se e recombinando-se, produzem os cinco elementos grosseiros: terra, água, fogo, ar éter; dos quais o Universo externo é composto.
Ou seria aquele macaco do conto de Edgar Allan Poe?
A luz me cegava, de modo que eu não podia saber qual a natureza daquela criatura, que parecia bradar algo como "wu wu wu" e agitar no ar um pequeno objeto que trazia em uma das mãos, o qual, em seguida, arremessou em minha direção, desaparecendo a seguir, misteriosamente, da mesma forma como surgira.
Tratava-se de um pequeno volume, todo amassado e com a capa remendada, colada com durex...
O título era:
Os Três Gunas
Mais uma vez vou te ensinar
aquela suprema sabedoria:
Os sábios que a encontraram
tornaram-se todos perfeitos
escapando dos vínculos do corpo.
Nessa sabedoria eles viveram
unificados com a minha santa natureza:
Agora eles não nascem mais
quando uma nova idade começa
Nem têm eles qualquer parte
na sua dissolução.
Prakriti, este vasto ventre
eu me apresso em nascer
com a semente de toda vida
Por isso, ó filho de Bharata
as muitas criaturas brotam.
Muitas são as formas do vivo
Muitos os ventres que os carregam
Prakriti, o ventre de todos os ventres
e eu, o Pai doador da semente.
De Prakriti os gunas surgiram
sattwa, rajas, tamas:
Estes são os vínculos que atam
o imortal morador
aprisionado no corpo.
Sattwa, o brilhante
pode mostrar o Atman
por sua pura luz:
Contudo, sattwa o amarrará
na busca da felicidade
ansiando por conhecimento.
Rajas, o apaixonado
fá-lo-á sedento
por prazer e possessão:
Rajas o amarrará
à fome da ação.
Tamas, o ignorante
atordoa todos os homens:
Tamas o amarrará
com os laços da ilusão
indolência, esturpor.
O poder de sattwa
escraviza o feliz
O poder de rajas
escraviza os que agem
O poder de tamas
escraviza o iludido
e obscurece seu julgamento.
Quando sattwa prevalece
sobre rajas e tamas
o homem sente esse sattwa:
Quando rajas prevalece
sobre sattwa e tamas
o homem é apanhado por esse rajas:
Quando tamas prevalece
sobre rajas e sattwa
o homem cede a esse tamas.
Quando o entendimento
brilha através dos sentidos
a porta do corpo
sabe que sattwa está presente.
Na ganância, no calor da ação
no ansioso empreendimento
na intranqüilidade, em todo desejo
sabe-se que rajas governa.
Quando a mente está obscurecida
atordoada, indolente
e perdida na ilusão
sabe-se que tamas prevalece.
O homem que encontra a morte
na hora de sattwa
vai para o lar sem pecado
entre os santos de Deus
Aquele que morre em rajas
renascerá entre esses
cuja escravidão é a ação
Aquele que morre em tamas
retornará para o ventre de um bronco.
Fruto da correta ação
é sattwa, a mais pura alegria
Quanto aos feitos de rajas
a dor é seu fruto
Verdadeiramente
ignorância é todo o fruto de tamas.
De sattwa nasce o conhecimento
de rajas, a ganância
Tamas produz atordoamento
ilusão, escuridão.
Permanecendo em sattwa
o homem vai para os reinos superiores
Permanecendo em rajas
permanecerá neste mundo
Afundando em tamas
sua natureza mais baixa
ele mergulha no submundo.
Que o homem sábio compreenda
estes gunas apenas como executores
de cada ação
Que ele aprenda a conhecer Aquilo
Que está além deles, também
Assim alcançará a minha unidade
Quando Aquele que habita o corpo
tiver vencido os gunas
que causam e governam este corpo
ele se libertará, então
do ciclo do nascimento e morte
da dor e da decadência
E se tornará imortal.
Dizem que um homem transcendeu os gunas quando ele não odeia a luz de sattwa, ou a atividade de rajas, ou mesmo a ilusão de tamas, enquanto estes prevalecem. Contudo, não anseia por elas depois que cessam. Ele é como quem se senta despreocupado à beira de um rio, ou seja, não é perturbado pelos gunas. Sabe que eles são os executores de toda ação, e, assim, nunca perde a faculdade de discriminação. Ele repousa na calma interior do Atman, considerando a felicidade e o sofrimento apenas aspectos (opostos) de uma mesma coisa. Ouro, lama e pedra são de igual valor para ele. O agradável e o desagradável são o mesmo. Ele tem, assim, o verdadeiro discernimento. Não presta atenção ao louvor ou à censura. Seu comportamento é o mesmo quando honrado e quando é insultado. Quando os homens vão para a guerra, ele não considera nenhum lado como inimigo ou seus partidários. Não sente falta de nada; portanto, nunca inicia qualquer ação.
Aquele que me adora com amor desvelado transcende estes gunas. Ele se torna apto a alcançar a união com Brahman.
Por que Eu sou Brahman dentro deste corpo, vida imortal que não perecerá;
Eu sou a verdade e a alegria para sempre.
...hare hare, Krishna; )
...O poder de Brahman é a base de toda mente e de toda matéria. Ele é chamado de Prakrtiti ou Maya; os termos são intercaláveis. De acordo com o Gita, Ishwara faz para Si mesmo um corpo de Prakriti quando escolhe nascer entre os homens. Contudo, por que Ele é Deus, Ele permanece senhor da Prakriti, mesmo em Sua forma humana.
É nisso que a encarnação divina difere da encarnação mortal comum. O homem, também, é o Atman associado a Prakriti ou Maya. Mas o homem está sujeito a Prakriti e iludido por Ela, ao pensar que ele não é o Atman. Tornar-se unido ao Atman significa lançar fora essa ilusão, e conquistar a liberação do processo de nascer e morrer. O homem assim liberado não pode renascer por que ele não está mais sujeito ao poder de Prakriti. A encarnação divina não é nunca sujeita a este poder: ela entra no Universo e o deixa à vontade.
O hinduísmo aceita a crença de muitas encarnações divinas, inclusive Krishna, Buddha e Jesus, e prevê muitas outras mais:
“Em cada época Eu volto
para libertar o santo
Para destruir o pecado do pecador
Para estabelecer a justiça”(ou o equilíbrio).
...Diz-se que Prakriti é composta destas três forças, conhecidas como gunas, que são: sattwa, rajas e tamas. Durante a “Noite de Brahman”, também chamada de “fase da potencialidade”, estes gunas estão num estado de perfeito equilíbrio, e Prakriti permanece indiferenciada. A criação é, assim, a perturbação deste equilíbrio. Os gunas passam então a entrar numa vasta variedade de combinações, correspondendo às várias formas diferenciadas de mente e matéria. Suas características podem ser percebidas por suas manifestações nas “realidades” psíquicas e físicas dos diversos seres.
No mundo físico, sattwa incorpora tudo o que é puro e fino; rajas incorpora o princípio ativo, e tamas o princípio de solidez e resistência. Os três gunas estão presentes em tudo, mas um guna sempre predomina sobre outro. Por exemplo: sattwa predomina na luz do Sol, rajas na erupção de um vulcão; tamas, num bloco de granito.
Os gunas também representam os diferentes estágios de evolução de qualquer entidade particular. Sattwa é a essência da forma a ser realizada; tamas é o inerente obstáculo à sua realização; e rajas é o poder pelo qual esse obstáculo é removido, quando então a forma essencial torna-se manifesta.
Na mente do homem, sattwa expressa-se psicologicamente como tranqüilidade, pureza e calma; rajas como paixão, inquietação, atividade agressiva; tamas como estupidez, preguiça, inércia. Algumas vezes um guna é predominante, algumas vezes outro; e o humor e o caráter do homem varia de acordo com isso. Mas o homem não pode cultivar nenhum dos gunas por suas ações e pensamentos ou modo de vida. Somos ensinados que tamas pode ser vencido pelo cultivo de rajas, e rajas pelo cultivo de sattwa. Contudo, o ideal último é transcender sattwa também, e alcançar o Atman (a essência divina no homem), que está acima e além dos gunas. Remontando à evolução da matéria diferenciada de Prakriti, começamos como mahat, a base da inteligência individual. Depois vem buddhi, a faculdade pela qual os objetos dessa realidade são distinguidos e classificados. Então ahmkara, o sentido do ego. Ahmkara divide-se em três funções:
1) manas; que recebe impressões dos sentidos e as leva a buddhi;
2) os cinco órgãos de percepção – visão, olfato, audição, paladar e tato – e os cinco órgãos de ação: a língua, os pés, as mãos, e os órgãos de excreção e reprodução;
3) os cinco tanmatras, a essência do som, do tato, do aspecto, do gosto e do olfato;